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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Música: será que ainda é cultura?

Olá Corujinhas!

Não sei se é assim com vocês, mas sempre que eu estou escutando as músicas brasileiras atuais perto de alguém mais velho que eu, e mais velho eu digo que tenha nascido antes dos anos 70/80, a pessoa logo lança um comentário do tipo: "Nossa hoje em dia não se tem mais músicas brasileiras de qualidade, é tudo esse monte de besteira!" No começo eu logo defendia as músicas das minha juventude, mas depois de estudar um pouco, eu tenho dó de mim e de todos que não tiveram a oportunidade de conhecer a verdadeira música.
Mil desculpas se estou ofendendo alguém, mas com a liberdade de expressão felizmente podemos dizer o que quisermos.
Há uns anos atrás, a música não era nenhum pouco parecida com as de hoje em dia. Tinham conteúdo, eram usadas para entretenimento assim como para propagar uma ideia, a música era subjetiva e muitas vezes tinham mensagens subliminares, e o compositor tinha que pensar muito antes de escrever uma letra, não era só colocar um "lê, lê, lê" ou "tãe, tãe, tãe" que todo mundo ia gostar e ele ia virar famoso.
Sabe do que eu tenho medo? De quando eu tiver meus filhos e eles me perguntarem quem era o cantor famoso da época e eu não ter quem citar, porque sinceramente eu não consigo achar nenhum nome que se destaque entre tantos outros. As músicas tem quase todas o mesmo ritmo, mesmo seleção de palavras e um cantor/banda consegue virar celebridade da noite para o dia com uma merdinha de letra que não traz mensagem alguma, a não ser falar de mulher, bebida e sexo. Agora, pergunte para alguém mais velho e veja se eles ficarão em dúvida... NÃO! Porque na época deles, música era sinônimo de cultura.
Um exemplo disso são as música que tinham como mensagens subliminares o fim da ditadura militar no Brasil. Muitos compositores que hoje em dia são os nomes da MPB, nasceram desta época e escreveram muitas músicas contra a ditadura usando metáforas para falar sobre isso.
Um fato que me impressionou muito foi o discurso de Caetano Veloso no dia 21 de outubro de 67 no II Festival da Música Brasileira da TV Record.


"Diante de uma plateia fervorosa - disposta a aplaudir ou vaiar com igual intensidade -, alguns dos artistas hoje considerados de importância fundamental para a MPB se revezavam no palco para competir entre si. As canções se tornariam emblemáticas, mas até aquele momento permaneciam inéditas. Entre os 12 finalistas, Chico Buarque e o MPB 4 vinham com “Roda Viva”; Caetano Veloso, com “Alegria, Alegria”’; Gilberto Gil e os Mutantes, com “Domingo no Parque”; Edu Lobo, com “Ponteio”; Roberto Carlos, com o samba “Maria, Carnaval e Cinzas”; e Sérgio Ricardo, com “Beto Bom de Bola”. A briga tinha tudo para ser boa. E foi. Entrou para a história dos festivais, da música popular e da cultura do País.
“É naquele momento que o Tropicalismo explode, a MPB racha, Caetano e Gil se tornam ídolos instantâneos, e se confrontam as diversas correntes musicais e políticas da época”, resume o produtor musical, escritor e compositor Nelson Motta. O Festival de 1967 teve o seu ápice naquela noite. Uma noite que se notabilizou não só pelas revoluções artísticas, mas também por alguns dramas bem peculiares, em um período de grandes tensões e expectativas. Foi naquele dia, por exemplo, que Sérgio Ricardo selou seu destino artístico ao quebrar o violão e atirá-lo à plateia depois de ser duramente vaiado pela canção “Beto Bom de Bola”." - Fonte: Filme "Uma Noite em 67"

O que aconteceu neste dia foi que ao contar a música "É proibido proibir", Caetano foi absolutamente vaiado junto com Gilberto Gil pelos estudantes da época. Este confronto verbal resultou em um vídeo que pode ser considerado um verdadeiro documento histórico político-sócio-cultural do nosso país.



É Proibido Proibir 
Caetano Veloso

A mãe da virgem diz que não
E o anúncio da televisão escrito no portão
E o maestro ergueu o dedo e além da porta
Ao porteiro, sim e eu digo sim
E eu digo não ao não
Eu digo é proibido proibir
É proibido proibir, é proibido proibir...
Me dê um beijo meu amor
Eles estão nos esperando
Os automóveis ardem em chamas
Derrubar as prateleiras, as estantes,
as estátuas, as vidraças, louças, livros sim
E eu digo sim, e eu digo não ao não
E eu digo é proibido proibir
É proibido proibir, é proibido proibir
Caí no areal e na hora ad vertis que
Deus concede aos seus para o intervalo em que
Esteja a alma imersa em sonhos, que são
Deus o que importa o areal, a morte, a desventura
Se com Deus me guardei é o que me sonhei
Que me sonhei que eterno dura é esse que regressarei
Me dê um beijo...



Para entender melhor o que aconteceu assistam o documentário "Uma Noite em 67", dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil.

Veja algumas músicas que foram censuradas pela ditadura:

E vocês, o que acham: música ainda é cultura?
Beijos!

9 comentários:

  1. Para mim música é cultura sim. Vou ser bem sincera, não curto muito MPB, mas tem umas que são clássicas e que dão gosto de ouvir(as antigas, tipo, Elis Regina.. etc) Hoje em dia a música por aqui está muito mudada! :/
    xoxo
    mustaches.tk

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    1. Então, acho que conitnua sendo cultura se você for pensar em musicas antigas, mas se depender das de hoje, para mim, infelizmente não é mais.

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  2. A música mudou muito de antigamente pra hoje em dia :/

    http://www.blogmundodamoda.com/

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    1. Muito, né? O problema é que mudou para pior! hahah

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  3. Também acho que mudou bastante. Mas sei lá, não curto muito o tipo de música de antigamente. Ainda acho, com certeza, que música é cultura :)

    Beijo grande,
    http://garota-queen.blogspot.com/

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  4. Ah, e adorei o seu blog, principalmente os assuntos aqui falado. Você é ótima na escrita! Pois bem, apenas não segui pois não achei o gadget de seguidores na barra lateral...

    Beijo grande,
    http://garota-queen.blogspot.com/

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    1. Muuito obrigada pelo elogio!! Acho que você sabe como nós blogueiras nos sentimos quando recebemos esse tipo de cometário!
      E obrigada também pela dica, o gadget de seguidores ficava lá em baixo, mas já o tranferi para a barra lateral assim fica mais facil ;)
      beijos!

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  5. Vivemos hoje o consumismo exacerbado que forma grupos musicais só pra faturar, fazer shows para o grande público, bancados por prefeituras onde a grana é dividida pelos mercenários da música e pronto. É isso que vemos hoje. São raras, raríssimas as produções de qualidade.
    Cadinho RoCo

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    1. Concordo totalmente com você, Cadinho!
      Obrigada pela sua visita e opinião!

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