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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Identidade perdida

-Socoooorro! Socoorro!- a menina gritava.
Sua cabeça ele invadira, seu corpo ele penetrara, sua alma ele roubara e seu coração... bem, esse ela já havia perdido desde o começo.
Ela não sentia dor, não sentia medo, não sentia fome e era isso que a desesperava. Ela não sentia nada. Nada além dele.
Era uma ligação tão forte, tão intensa que cada gesto, cada sentimento, cada ação já eram esperados por ele. Nada era um imprevisto.
As palavras pouco eram usadas, podiam ser substituídas por olhares ou gestos. E o que mais a assustava é que ele conhecia cada um deles, sabia de todos os seus significados sem que ela precisasse dar sequer uma explicação. Uma mentira era algo incogitável, ele sempre sabia a verdade por trás de tudo.
No começo foi bom. Aquela ligação de diamante inquebrável, insolúvel, indecifrável. Mas depois, sua identidade foi sumindo, seus pensamentos foram apagados e no lugar deles foi colocado ele.
Era como se ele quisesse roubar sua vida, mas já não bastava o coração? Não. Ele era ganancioso, queria tudo. Seu corpo, seus pensamentos, sua vida.
E foi assim que aos poucos ela se deixou dominar, quando se deu conta já não existia mais.
Ela era o reflexo dele. O cheiro dele. A voz dele. Era uma parte ambulante de um ser dominante.

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